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Uma extensão da mente: debate com Carlos Seabra

Por: Equipe Fronteiras

Ítalo Dutra, Carlos Seabra e Daniela Bortolon

Roselly Carvalho de Araújo é professora de matemática há 22 anos. Um belo dia, deixou de lado o giz e o quadro negro e levou seus alunos para o laboratório de informática. Ela listou nomes de artistas e pediu que os pequenos identificassem formas geométricas nas obras de arte, tudo via pesquisa na internet. "Fiquei impressionada quando um deles falou ter visto um quadro da Tarsila do Amaral no Faustão", conta.

De certa forma, a pequena história de Roselly resume o tema da palestra de Carlos Seabra no Fronteiras Educação – Diálogos com Professores, realizada no dia 09 de dezembro, no Salão de Atos da UFRGS, em Porto Alegre. O debate sobre o uso de tecnologias no ensino e como explorar o potencial delas na aprendizagem foi um sucesso de público, crítica e repercussão na mídia. Também marcou o último encontro do Fronteiras do Pensamento 2010 e o encerramento do ano letivo da Secretaria Municipal de Educação de Porto Alegre (SMED).

Dois mil educadores assistiram aos dois encontros, com mais de duas horas de duração cada. Com a mediação dos professores Ítalo Dutra, do Colégio Aplicação, e Daniela Bortolon da Silva, da Smed, Seabra argumentou que o computador não pode estar restrito a laboratórios de informática. Brincou que seria o mesmo que entregar lápis para os homens da Pré-História, mas limitar o uso a apenas uma caverna. O aluno deve ser estimulado a usar as ferramentas do celular, interagir de casa via sites como o Twitter, tudo para desenvolver o empreendedorismo cognitivo. "Os alunos precisam ter prazer em buscar conhecimento. Na Grécia Antiga, quando Sócrates disseminava seus ensinamentos à sombra de uma árvore, quem o ouvia adorava estar lá, aprendendo", filosofou.

Segundo Seabra, os professores devem apropriar-se da tecnologia disponível. Defende que a utilização de computadores, smartphones, tablets e suas ferramentas estimulam os alunos a levantar hipóteses, reconhecer padrões, desenvolver projetos, saber pesquisar, ser metódico, entre outros. "A principal tecnologia é utilizar o cérebro. E o computador é uma prótese, uma extensão da mente. Os professores que ainda não têm acesso a ele na escola, já devem imaginar o que farão quando o tiverem", afirma.

Carime Kanbour, vice-presidente do Instituto Claro, incentivador do Fronteiras Educação, lembrou que o evento foi uma forma de se aproximar dos professores e conhecer um pouco melhor a realidade deles. Para o Instituto, a utilização das novas tecnologias no ensino é uma bandeira. "É importante para ver se estas ideias podem ser aplicadas na prática. Acreditamos que as novas tecnologias são aliadas na difusão do conteúdo e ajudam na construção de uma nova realidade de aprendizagem", projeta.

Para a Secretária da Educação, Cleci Jurach, o professor municipal ganhou um presente de Natal. Ela espera que a palestra de Seabra abra novas possibilidades para os educadores planejarem no ano letivo de 2011 com outra perspectiva, um pouco mais tecnológica. "É o que sempre dizemos: 'a educação não está pronta'. A fazemos o tempo todo, construindo conhecimento", defende.

E para fazer com que esta tarefa seja facilitada, todos os presentes receberam uma publicação de 28 páginas sobre o tema, organizada por Seabra, com conteúdos sobre o uso da internet e de suas ferramentas no ensino. A cartilha será distribuída para todos os professores da Rede Municipal de Ensino. Mas seu conteúdo também está disponível para download no site do Instituto Claro. Instituições de Ensino interessadas em ter o fascículo devem contatar a Central de Relacionamento do Fronteiras pelo e-mail relacionamento@fronteirasdopensamento.com.br. A expectativa é que todos sigam o exemplo da professora Roselly, buscando alternativas para ampliar o conhecimento dos alunos e fazer da escola um prazer, não uma mera obrigação.

O Fronteiras Educação – Diálogos com Professores é uma iniciativa do Instituto Claro com o apoio cultural da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e da Prefeitura Municipal de Porto Alegre. A edição 2010 do Fronteiras do Pensamento – Para compreender o século XXI é apresentada pela Braskem, tem o patrocínio de Unimed POA, Gerdau, Grupo RBS, Instituto Claro e Refap, e o apoio cultural da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Anhanguera Educacional e Prefeitura Municipal de Porto Alegre.

- Saiba como funciona a cartilha no vídeo Tecnologias na Escola: http://youtu.be/Rt8gtu5urGY
- Faça o download completo da cartilha: http://www.institutoclaro.org.br/banco_arquivos/Cartilha.pdf