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Brasil e Congo unidos pela cooperação

Por: Equipe Fronteiras

Foto: Clléber Passus/Fronteiras do Pensamento
Denis Mukwege no Fronteiras Porto Alegre 2010

É com grande entusiasmo que o Fronteiras do Pensamento divulga a assinatura do acordo de cooperação entre os municípios de Ourinhos (São Paulo) e de Bukavu (República Democrática do Congo), que agora são cidades irmãs oficialmente.

O pacto pretende promover o intercâmbio e a aproximação entre os dois municípios, especialmente nos âmbitos das relações econômicas, educacionais, culturais, desportivas, sociais e de saúde. A ideia começou a tomar forma em junho de 2010, quando o Dr. Denis Mukwege veio ao Brasil participar do Fronteiras do Pensamento e se mostrou aberto e interessado na ajuda humanitária de outros locais do mundo ao seu país, o Congo.

Desde então, a Prefeitura Municipal de Ourinhos iniciou os contatos com a Prefeitura Municipal de Bukavu e os laços de amizade e trabalhos foram se firmando. No documento assinado no final de 2011, as motivações para tal acordo são expressas:

Considerando que a realidade em que vivemos não aceita mais a velha concepção de um município isolado do resto do mundo, que políticas implementadas em países distantes afetam diariamente as nossas cidades; que as relações internacionais passaram a ser vistas por muitos como vias eficazes para a promoção de parcerias; que, neste contexto, os municípios passam a ser percebidos como o espaço ideal para de interação entre os atores da sociedade civil, da iniciativa privada e das esferas de Governo, todos juntos pelo desenvolvimento; que, além disso, sabe-se que os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), estabelecidos pela Organização das Nações Unidas (ONU) poderão ser alcançados se houver, de fato, um engajamento dos Governos locais de todo o mundo; que o meio internacional oferece muito mais aos municípios do que recursos financeiros, que o dinheiro é apenas uma das formas para se alcançar finalidades como a melhoria de um serviço público; que, assim, existe uma série de experiências mundiais que tratam de problemas comuns aos Governos locais e que podem ser facilmente compartilhadas a custos bem inferiores ao modo tradicional de execução de políticas públicas; que, ao contrário do que se imagina, as trocas de experiências não significam uma padronização dos costumes de diversos países – o que ocorre é uma valorização das particularidades locais.

A atuação internacional, portanto, envolve a capacidade de mobilizar novos recursos de ordem econômica e técnica, além de ressaltar a importância da multiculturalidade existente não no mundo, mas também em nosso território e que Ourinhos e Bukavu têm interesse no intercâmbio de ações e de aprendizado mútuo, que possam ser replicados a outros municípios.

Em termos práticos, fica estabelecido, dentre outras ações:

- acordos bilaterais visando a troca de conhecimento sobre as raízes étnicas, folclóricas e musicais, bem como sobre os programas de saúde de ambos os locais;

- fomento ao intercâmbio estudantil com premiações aos melhores alunos, bolsas para estudo e turismo popular, além da criação de comitês de apoio formados por pais e professores;

- termos de parceria que facilitem o contato de empresas e instituições, programas de cooperação técnica que toquem a vida social, econômica, política e cultural dos municípios.

Denis Mukwege no Fronteiras do Pensamento 2010

Médico congolês, Denis Mukwege é fundador e diretor do Hospital de Panzi, onde se especializou no atendimento a mulheres vítimas de violência sexual. É o maior especialista do mundo em reparação interna de genitais femininos e coordena diversos programas ligados ao HIV e à AIDS. Recebeu, em 2008, o Prêmio Olof Palme e o Prêmio Direitos Humanos das Nações Unidas pelo seu trabalho de proteção aos direitos e à dignidade de milhares de mulheres congolesas. Em 2009, foi indicado ao Prêmio Nobel da Paz, vencido pelo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama.

Em sua conferência para o Fronteiras do Pensamento, Direitos humanos e democracia na era globalizada, Denis Mukwege aproximou a África do Brasil sob o ideal da solidariedade. O conferencista abordou o assunto sob três ângulos: humanitário, médico e dos direitos humanos e democracia.

Para o convidado, a realidade da África é um profundo dilema. O continente está entre duas civilizações, suspenso entre duas forças: a tradição e a modernidade, entre o desenvolvimento e a autossuficiência, entre o progresso autônomo e a dependência. Segundo Mukwege, a única saída é buscar caminhos de colaboração com o resto do mundo. A ajuda humanitária deve ser incondicional, universal, independente e neutra. Quando a ajuda é assistencialista, a crise prossegue e surge o problema do retorno à autonomia.

- Assista ao vídeo-resumo da conferência de Denis Mukwege
- Leia o resumo da conferência de Denis Mukwege (PDF)
Saiba mais no site da Prefeitura de Ourinhos