Immanuel Wallerstein no programa Milênio
Por: Equipe Fronteiras
Foto: Clléber Passus/Fronteiras do Pensamento

Immanuel Wallerstein no Fronteiras 2007
O sociólogo e escritor norte-americano Immanuel Wallerstein foi o convidado do programa Milênio, com Jorge Pontual. No programa, Wallerstein abordou o tema Há alternativa ao capitalismo?, dando prosseguimento aos questionamentos colocados no Fronteiras do Pensamento 2007.
- Clique aqui para assistir ao programa Milênio com Wallerstein
- Siga o Fronteiras no twitter
- Siga a nova página do Fronteiras no facebook
Sua conferência, Impasses e transformações para o século XXI, discutiu o futuro da geopolítica global e o fim do império norte-americano. No que era uma previsão na época (cinco anos atrás), Wallerstein apontou uma realidade em que a China superaria os EUA, uma grande crise do sistema capitalista e da economia como um todo tomaria o mundo e o surgimento de um governo efetivamente global, fortemente temperado pelo controle público do capital e dos recursos naturais surgiria.
Sobre Wallerstein, o jornalista Jorge Pontual escreve no site do programa Milênio
“Minha primeira impressão de Immanuel Wallerstein, quando gravei um Milênio com ele em 2003 coincidindo com o lançamento do livro O Declínio do Poder Americano, foi a de um sujeito zangado e rabugento. Combinava com o que eu interpretei como um profundo pessimismo na visão de mundo dele.
Nove anos depois, para minha surpresa, o homem que recebeu o repórter cinematográfico Guilherme Machado e eu em sua minúscula sala no novo prédio do departamento de sociologia da Yale University se mostrou encantador, simpático, sorridente, acolhedor. Mudou ele ou mudei eu?
E, de pessimista, ele não tem nada. Em seus escritos, que incluem a cada duas semanas uma coluna em seu blog, que é republicada em varias línguas, inclusive o português, Wallerstein continua vaticinando, como faz há décadas, o fim do sistema capitalista e o ingresso da humanidade num período de caos e trevas que poderá durar décadas até a emergência de um novo sistema – que poderá ser bem pior que o atual. Mas isso, para ele, não é motivo de pessimismo, porque num momento de crise sistêmica como o atual ele vê a possibilidade de pequenas ações individuais produzirem efeitos imensos. Cada um de nós tem a chance, sem precedentes há muitos séculos, de influenciar o novo sistema que está por vir. Daí o otimismo.
Não pode deixar de ser otimista um pensador de 82 anos que tem pela frente a tarefa árdua de escrever os dois últimos dois volumes dos seis de sua obra monumental, O Sistema Mundial Moderno (que no Brasil traduzem como Sistema-Mundo). Vamos torcer para que ele consiga.”
IMMANUEL WALLERSTEIN NO FRONTEIRAS DO PENSAMENTO 2007
Deixamos vocês, alunos, com o excerto final da conferência de Immanuel Wallerstein, a conclusão de sua fala no Fronteiras 2007.
"Estamos numa crise fundamental de sistema-mundo capitalista, que não existirá mais no ano de 2050. A crise mundial não é manter o capitalismo ou rechaçá-lo, mas sim compreender o que substituirá este sistema. O campo de Davos quer recomeçar como outro sistema totalmente diferente, mas que mantenha os elementos mais importantes do sistema atual, a hierarquia, a espoliação e a polarização – polarização social, econômica, política. O campo de Porto Alegre quer criar outro sistema, pois 'um outro mundo é possível'. Possível não, é inevitável.
Não sabemos quem vai ganhar, é impossível prever, mas é uma verdadeira luta que durará mais dez, vinte, trinta anos, até que um novo sistema surgirá. Ainda não podemos descrever os elementos mais essenciais de sua estrutura ou sequer saber se será 'melhor' ou 'pior'. Essa luta acontece num mundo de livre-arbítrio máximo e que gera uma situação caótica, com inúmeras crises e conflitos terríveis, sem certeza alguma sobre nada e é por isso que o que cada um de nós fizer agora será impactante sobre o futuro de cada um de nós."