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Fronteiras do Pensamento Copesul Braskem

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Quando a arte retrata a condição humana em 11/11/2008

Sandra de Deus, jornalista e professora de Jornalismo da UFRGS, deu abertura à noite da décima quarta conferência do Fronteiras do Pensamento Copesul Braskem. Ela chamou ao palco o conferencista da noite, Simon Schama, historiador britânico, professor de História e História da Arte na Columbia University, em Nova Iorque, e realizador de algumas séries da BBC como O poder da arte e Uma história britânica. O professor agradeceu pelo convite e manifestou seu gosto por voltar ao Brasil sempre que possível. O conferencista disse que, se bem no início pensava falar sobre raça e religião, no fim resolveu trazer para sua conferência a relação entre imagens e calamidades, tema que se tornou uma de suas principais preocupações nos últimos anos. “A lenta morte do planeta e outras formas de calamidade são interpretadas por imagens, elas nos conectam com os que mais sofrem no planeta”, disse Schama.

Ao longo da conferência, Simon Schama foi exibindo uma série de pinturas, esculturas e fotografias em que a arte retrata a calamidade de modos diversos. “Somos bombardeados por tantas imagens fotográficas da dor que ela tornou nossa pele grossa, nos fez impermeáveis. Minha amiga Susan Sontag falou do conflito entre arte e fotografia e da ambição da arte em que a fotografia seja algo mais que fotografia. A inventividade da arte não é prejudicada e sim fortalecida pela atenção ao sofrimento, diziam Picasso e tantos outros artistas”, lembrou o historiador, exemplificando as formas como a arte lida com a calamidade, retratando o horror ou cercando a catástrofe com a intensidade do silêncio, ou inclusive representando o oposto do horror com a imaginação. De alguma maneira, muitos artistas tentaram e continuam tentando dar voz à humanidade sofredora. Como se as memórias ancestrais fossem convocadas para prestar testemunho, a arte nos faz pensar em como assistimos ao horror.
Quando a arte tenta dizer algo poeticamente profundo sobre a condição humana, os artistas se tornaram filósofos, mesmo Andy Warhol, que pode parecer jocoso, soube retratar muito profundamente a condição humana. Anselm Kiefer diz algo sobre torres num quadro onde aparecem torres em risco de cair. A torre é emblema de vigilância e monumentalidade. Esses valores foram derrubados com a queda da torres gêmeas, as torres de Kiefer estão em risco do colapso, se mostram com uma natureza muito frágil, os artistas em geral apontam para isso.

Encerrada a conferência, o historiador respondeu às perguntas do público. Sobre fazer história em televisão, Simon Schama disse que acha um desafio maravilhoso. Ele lembrou de um professor seu que achava a história um ofício público. “Você tem que honrar e contribuir com a pesquisa científica, mas deve combinar isso com a linguagem a um público amplo. A história é fazer perguntas sobre as nossas origens na esfera pública. Eu fui persuadido a fazer uma história britânica e fiquei convencido que a TV pode contar historias e fazer perguntas ao mesmo tempo”, disse Schama, expressando sua gratidão à BBC por manter padrões muito elevados nos mais de 40 filmes realizados por ele. Para o historiador, o segredo da TV está nos pequenos detalhes feitos na mesa de edição como iluminação, trilha sonora, detalhes que ele faz questão de acompanhar pessoalmente. “Minha esposa sabe quantas vezes tenho que voar até Londres quando alguma coisa deve ser modificada. A TV é uma vocação muito elevada”, salientou o britânico.

Sobre sua interpretação da crise econômica e a eleição de Obama, Simon Schama disse que representa o fim da era que iniciou Ronald Reagan, em 1980, e mesmo com Bill Clinton. Era quando o paradigma conservador era dominante. “Tudo isso acabou. O quanto alienadas eram as pessoas em relação ao governo Bush! Como ele falhou em relação à guerra no Iraque e em relação ao atendimento das vítimas do furacão Katrina! O governo não foi capaz de dar a proteção mínima”, desabafou o historiador. No livro e na série sobre o futuro norte-americano Schama tenta expressar a mudança em gestação, mas considera difícil dizer as dimensões que ela vai tomar. “Agora as pessoas esperam do governo federal uma atitude ativa para evitar entrar numa depressão. Há um novo período em que George Bush acabou transferindo a economia do poder privado para o poder público. Acho que Obama é um democrata na tradição de John Kennedy, e com isso ele diz que vai continuar a guerra. Ele fez uma distinção entre o Iraque, uma guerra ilegítima, e o Afeganistão, que ele achou justificada. Obama não vai diminuir o tamanho das forças armadas, mas também não vai tolerar as mentiras que aconteceram na guerra do Iraque, pois a privatização da guerra foi uma atrocidade. Ele vai acabar com isso, mas não vai ser de imediato”, encerrou o professor.

Schama resgata artistas que retrataram a dor e a calamidadeSchama resgata artistas que retrataram a dor e a calamidade

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