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Na tarde de hoje, o escultor estadunidense Richard Serra conversou com a imprensa sobre a conferência que dará nesta quarta-feira à noite no Fronteiras do Pensamento Copesul Braskem junto à curadora internacional Lynne Cooke. Serra adiantou que assistiremos a um diálogo entre ele próprio e a curadora que começou há alguns anos, quando Lynne foi curadora da mostra de Serra no museu de arte moderna de Nova Iorque e continuou em outro debate no museu de Filadélfia, depois no museu de Los Angeles e um quarto diálogo em Veneza. “Quando surgiu a oportunidade de vir ao Fronteiras, pensei que em vez de fazer uma conferência o melhor seria dar continuidade a esse diálogo e trazer também a Lynne. Não tenho condições de antecipar o diálogo, porque ela faz perguntas e eu respondo e não faço idéia do que ela vai perguntar”, explicou o escultor. Artista e curadora se conhecem há mais de 30 anos, e ela já organizou muitas mostras no mundo inteiro. A conferência não terá imagens das esculturas do artista porque ela se caracteriza por exigir a presença física do espectador. “Minhas esculturas dependem da subjetividade do espectador que as observa e entra nelas”, insistiu o artista.
O artista disse ter sido muito influenciado pelo existencialismo na época de estudante, principalmente questões como o tempo limitado da vida no mundo e a pergunta sobre como lidar com a banalidade do dia-a-dia, com a consciência da banalidade e a finitude. O que fazer com o tempo que temos à disposição? Como se relacionar com o espaço e os objetos? O artista lembrou que na sua infância ele morava junto ao mar e costumava caminhar na praia; quando voltava pelo mesmo caminho, tinha a impressão de que se tratava de um lugar desconhecido, pela nova posição dos objetos e do olhar. “Me interessa aquilo que não sei dos objetos. Gosto de rodear os objetos para conhecê-los, a cada nova posição uma nova forma”, disse Serra, para quem há entre a arquitetura e a escultura uma diferença na função utilitária de que a escultura prescinde, embora seja útil para produzir experiências.
Serra comentou sua exposição no Brasil, em 1997, e seu encontro com o arquiteto Oscar Niemeyer e a aproximação à obra de artistas brasileiros como Lygia Clark. “Ela fez um trabalho extraordinário, devia ter projeção internacional”, comentou o escultor. Para Serra os artistas brasileiros das próximas gerações terão uma forte dinâmica e a arquitetura brasileira vai adquirir maior projeção.
Richard Serra comentou, surpreso, sua impressão ao ter caminhado pelas ruas de Porto Alegre. “Observei que o graffiti aqui é diferente do resto do mundo, só é parecido com o da Ásia. Estou interessado no graffiti pelo tipo de escrita, o formato dos traços do graffiti mostra como os jovens se expressam corporalmente, seus gestos, o confronto com as experiências de repressão do espaço urbano”, disse o escultor.
O artista comentou também sobre sua passagem pelo cinema: “A minha relação com o cinema não tem nada a ver com minha relação com as esculturas. Meu problema com o filme e com a reprodução da imagem em geral é que você está limitado pela moldura, o corte é uma fragmentação do tempo que é limitado e prejudica minha relação com o filme”, disse Serra.
Diálogos sobre arte e contemporaneidade: o olhar do artista e do curador é o tema que reúne, hoje à noite, no Salão de Atos da UFRGS, o artista e escultor Richard Serra e a curadora de arte Lynne Cooke.
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