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Bob Wilson

A descoberta de uma nova linguagem teatral

Mistura de diversos surrealismos e estéticas orientais, evocações míticas e rituais. A principal originalidade de Robert (Bob) Wilson, o gênio do teatro moderno, está em converter a iluminação em elemento dinâmico e criador

“Minhas primeiras obras, nos anos sessenta e setenta, foram silenciosas. Desde então, sempre começo um novo trabalho com a criação dos movimentos. Procuro criar um espaço no qual se possa escutar música. Meu transfundo, é também arquitetônico. Nesse estágio rascunho também um roteiro visual. Sou também um bailarino e aprendo com a prática. Como disse Martha Graham: 'Desenho o gráfico de meu coração'”, disse em entrevista certa vez Bob Wilson.

Ele nasceu em Waco, Texas em 1941. Freqüentou a Universidade de Texas e chegou a Nova Iorque em 1963 para ingressar no Brooklyn's Pratt Institute. Pouco depois desenvolveu o seus primeiros trabalhos Deafman Glance (1970), A Letter for Queen Victoria (1974). Wilson estudou também administração de empresas, arquitetura e desenho. Trabalhou como professor de crianças portadoras de deficiências psíquicas. Na verdade ele próprio de criança era gago. Aos 17 anos conseguiu dominar a língua e até hoje sente-se muito livre para usa-la respondendo muita coisa com os seus conhecidos silêncios. Seus interesses se estendem bastante além do teatro, e, hoje, mais do que nunca, ele sozinho é uma produtora artística multimídia. Sobre sua carreira, a renomada escritora Susan Sontag disse “tem a marca de uma grande criação artística. Não consigo pensar noutro corpo de trabalho tão grande ou tão influente”. Junto com seus assistentes está tentando consolidar a primeira marca global de desenho cenográfico. Interrogado durante uma entrevista sobre o denominador comum de suas atividades responde: “A criatividade pode ser qualquer coisa, desde fazer pão, enfeitar a mesa, ordenar as flores no vaso, organizar as cadeiras ao redor da mesa, a maneira como vives, como caminhas, como escutas”.

Em 1976 com Philip Glass viria a obra que traria o reconhecimento internacional de ambos: a ópera Einstein on the Beach. Cinco cenas de grande beleza cênica conformam este breve, mas muito representativo, trabalho de diretor. A precisão dos gestos atorais, a enorme expressividade da luz, o delicado uso do tempo no cenário, seus abruptos rompimentos, o rigor na composição são elementos que caracterizam o teatro de Wilson nos últimos trinta anos. Na verdade, Einstein on the Beach, foi a descoberta de uma linguagem teatral e operística nova, na qual o texto perde importância frente à imagem. Tempo e movimento estão exatamente cronometrados e, em ocasiões, se expandem para o infinito, e o sentimento se impõe sobre a razão. Depois de Einstein, Wilson trabalhou de forma crescente com os maiores teatros europeus e casas de ópera como o the Festival d'Automne in Paris, Das Berliner Ensemble, the Schaubühne in Berlin, the Thalia Theater in Hamburg, the Salzburg Festival, the Paris Opera, e a Bolshoi Opera. Posteriormente, viriam montagens como Death, Destruction & Detroit (1979), Civil warS (1984), Orlando (1993), Time Rocker (1996) o Woyzeck (2001), esses dois últimos em colaboração com o músico Tom Waits.

Wilson recebeu numerosos prêmios pelos seus feitos em todas as áreas da Arte. Sempre no verão, Wilson refugia-se no Watermill Center, um laboratório fundado por ele para artes e humanidades em Long Island oriental. O Watermill Center junta estudantes e profissionais experientes num ambiente multi-disciplinar dedicado à colaboração criativa. Ali ele está sempre rodeado de um grupo de discípulos aos quais dá indicações assumindo seu lugar de diretor. São uns trinta jovens. Atores, fotógrafos e arquitetos, designers e músicos, cenógrafos e escritores. Vários deles são filhos de milionários, a quem Wilson, evidentemente, aceita em suas oficinas para devolver o favor do patrocínio econômico de seus pais. Soa escandaloso, mas é legítimo num país em que ninguém ouviu falar em ajudas estatais para a cultura.

Algumas frases do diretor são ouvidas de vez em quando. “O corpo não mente. Se te escutas a ti mesmo, sabes o que está acontecendo”. “Tenham cuidado de não girar os olhos quando mexam a cabeça”. E ainda: “Tem que manter a mente aberta e considerar o espaço atrás de vocês. É por isso que muitos atores de Hollywood nunca poderão interpretar Hamlet: não são conscientes do espaço atrás de sua cabeça”. Bob Wilson insiste em que o processo criativo é um mistério. “Não sabemos nada dele. Não sabemos como reproduzi-lo em massa, não sabemos como ensina-lo”. Uma entrevista com o gênio do tetro moderno pode chegar a ser um desastre anunciado já que não responde muitas perguntas. “Este é um lugar no qual o importante são as perguntas. Não creio que as respostas sejam necessárias. Sempre se deve questionar tudo o que estamos fazendo”, sentencia Wilson.

Menos conhecido no seu país, a grande maioria de seus trabalhos estrearam na Europa. Em todo caso, poucos duvidam de que Bob Wilson seja um dos grandes criadores cênicos do século XX.

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