
Jornalista, poeta, escritor e professor, Fabrício Carpinejar sobe ao palco do Fronteiras do Pensamento Copesul Braskem, no dia 13 de outubro. Poeta da nova geração da literatura brasileira, Fabrício garante que a poesia é confronto, nunca conformação. “A poesia é o terreno baldio da ressurreição. Propõe comparações inusitadas, estabelece aproximações inauditas, revê microscopicamente o que não era detectado. Para cada um se alcançar, ou se abraçar, o caminho é o poema. O poema não traz compreensão, traz participação no mundo”, disse.
“Poesia não é um crime premeditado, em que o escritor forja álibis e procura esconder as pistas. Não sou capaz de dizer: vou escrever um poema. Escrevo como quem existe. Ninguém hesita em existir. Percebo a poesia desde o princípio como um crime passional. É uma explosão de nervos, de música e de pensamento. Surge de um ato solitário, intransferível e altamente singular. Significa matar o amor para que ele sobreviva sem a pieguice”, escrevia Fabrício Carpinejar em texto publicado em jornal com o título “Antecedentes criminais poéticos”. O texto expressa o significado da literatura, a poesia e o poeta para Carpinejar. E tem mais. “O poeta não é o que fala, mas o que escuta errado. Ele escuta o batimento, não a voz. Ele escuta o tombo, não o vôo. Ele escuta a alma das coisas antes do corpo sonoro. A precipitação, não a conseqüência. Eu exercito o anonimato. Eu me antecipo. Não há como fazer o fogo recuar”, disse numa entrevista. Talvez fosse sua ânsia de brincar com as letras que o levaram a ser jornalista e poeta, a cursar o mestrado em Literatura Brasileira, e inclusive a criar e coordenar o Curso de Formação de Escritores e Agentes Literários da Universidade do Vale do Rio dos Sinos – Unisinos.
Fabrício Carpi Nejar nasceu em 1972, na cidade de Caxias do Sul. Ele juntou os nomes do pai, Carlos Nejar, e da mãe, Maria Carpi, ao lançar o primeiro livro de poesias, As solas do sol, em 1998. Desde então, publicou onze livros e recebeu mais de dez prêmios literários. Segundo ele, seus poemas nascem da depuração de uma distração, o que as pessoas não enxergam porque já estão acostumadas a seguir adiante. “O poema ou a crônica é uma repescagem do olhar, reequilibrar a importância daquilo que foi descartado. Despertar a necessidade do que já estava em nós”, explica-se o autor.
Mas a sua relação com as letras, dramática nos inícios, foi adquirindo um grau de intimidade e irreverência invejável. “Na primeira série, a professora avisou a minha mãe que eu não iria me alfabetizar, que era um caso perdido. Ela acertou na segunda hipótese, errou na primeira. Em 4 de outubro, dia da poesia e de São Francisco, depois de sucessivas reprovações, no estertor do ano letivo, eu consegui minha primeira nota sem caneta vermelha. Todo dia eu chorava na caixa d´água, em cima do telhado. Nesse dia, eu colhi uvas para entregar a minha mãe, que me ensinou a montar palavras como um quebra-cabeça”, relatou Fabrício, em entrevista a uma revista portuguesa.
Em 1994, nasceu Mariana, filha de Fabrício e sua namorada Géssica. Em 1996, ele casou com Ana Lúcia, e desse casamento nasceu Vicente, seu segundo filho. Vicente e Mariana foram inspiradores de Meu filho, minha filha (Bertrand Brasil, 2007). O livro reúne uma série de poemas que meditam sobre a figura contemporânea do pai, a partir da experiência de um filho que mora com ele e de uma filha que fica com sua mãe, em outro estado. “A obra foi escrita ao longo de cinco anos, e acompanhou o crescimento dos filhotes e nossas alegrias, tristezas, interrogações e perplexidades”, disse Carpinejar.
Carpinejar é autor de Um terno de pássaros ao sul (Escrituras), Terceira sede (Escrituras), Biografia de uma árvore (Escrituras), Porto Alegre e o dia em que a cidade fugiu de casa (Alaúde), Cinco Marias (Bertrand Brasil), Como no céu (Bertrand Brasil), Livro de visitas (Bertrand Brasil), O amor esquece de começar (Bertrand Brasil), Filhote de cruz credo (A Girafa Editora) e Meu filho, minha filha (Bertrand Brasil). Como escritor, recebeu numerosos prêmios como o Fernando Pessoa, da União Brasileira de Escritores (1998), Destaque Literário da 46ª Feira do Livro de Porto Alegre (2000), Cecília Meireles, da União Brasileira de Escritores (2002), Prêmio Açorianos de Literatura (2001 e 2002) e Prêmio Nacional Olavo Bilac, da Academia Brasileira de Letras (2003), sendo o mais recente o Prêmio O Sul, Nacional e os Livros por Meu filho, minha filha, que também foi escolhido melhor livro de poesia da 53ª Feira do Livro de Porto Alegre. Sua obra foi traduzida para o alemão, o italiano e o francês e tem participação em coletâneas de vários países como México, Índia, Estados Unidos, Austrália e Espanha.

A arte física, depreciada pelo cristianismo desde as origens, revigora-se com Giotto e ...
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